23 de outubro de 2009

O uivo e o VMB



Quando dei por mim estava em Florianópolis e não tinha mais volta. Eram 7:00 da manhã, tinha dormido mal pra caraleo – não tem santo que me faça dormir em ônibus, quer dizer, tem o santo Lexotan, mas dessa vez ele não apareceu... – e tinha muitos e muitos Km dirigindo pela frente.

O culpado disso tudo é o Ricotta –
Felipe Ricotta é o cara por trás da máscara do Kiabbo no programa 15 min. MTV – que veio ao sul cumprir agenda da sua beatnik carreira musical, o cara viaja o Brasil inteiro no seu carro divulgando e fazendo shows do seu visceral trabalho de estréia “Você não esta entendendo porra nenhuma!!”.
Só que dessa vez ele deixou o carro pelo caminho, na casa da tia em Florianópolis.
Daí que veio a idéia... “Caco, pega meu carro em floripa e sobe pra São Paulo pro VMB...”

- Como assim Ricotta?

ele tasca no seu “carioques” todo chiado.

- Olha só, deixa eu falar. Pô. Ai, vo te que cancelar o lance de segunda com o Tchê lá no Jekyll brother. Os cara lá da MTV me querem na terça as 4 da tarde pra gravar os lances do VMB, se tiver que passar em floripa e pegar o carro, não vai da tempo. Daí que tava pensando em fazer o lance no Jekyll e pegar um avião na terça pela manhã e tu subia com a Inayara (produtora) pegava o carro no caminho e colava lá em casa.

- hummm...

Pensei, pensei, quando vi era segunda à tarde o maluco tinha comprado a passagem e já era tarde demais pra voltar atrás. Fodeu.

Quarta feira 30 de setembro de 2009

Eeeeeee! Finalmente chegando em São Paulo.
A viagem realmente não foi das melhores, posso dizer que ficou entre as 10 piores na real. Claro, o Golzinho piorado do nosso amigo Ricotta não ajudou em nada, assim como quase ficar sem combustível na serra por um cálculo mal feito da minha “navegadora” Inayara, levar uma fechada a 100 km/h na Régis Bittencourt, pegar uma chuvarada e ver um corpo estirado no asfalto por causa de um acidente.
Mas afinal, estamos chegando a São Paulo. Vivos!

18:01

- Tá e agora Inayara? Eu nunca entrei dirigindo em São Paulo e não tenho a menor idéia pra onde ir...
(a Inayara é mineira. Quieta e de movimentos lentos... sacou?)
- nah... eu sei, é só pegar a marginal Pinheiros.
- a quanto tempo tu ta morando em São Paulo mesmo?
- 3 meses...
- tsss...

18:10

- e ai Inayara, cadê a entrada da bendita marginal?
- nah... segue em frente, daqui a pouco aparece.
...

18:20 – o trânsito começa a me parecer o Camboja no auge da guerra.

- não tinha outro horário pra gente chegar não?!
- ali! ali! Vira à direita!!

Fácil assim, virar à direita...
Depois de escapar do caminhão e dar uma fechada cinematográfica no taxista, entrei à direita.

18:31 – CAOS!

- Tem certeza que é pra esse lado??
- não... Vou perguntar pro motorista daquele carro, cola do lado.
- Boa tarde, o Brooklin é pra esse lado?
- Não! (sorriso irônico), têm que pegar aquele lado lá.

Óbvio que o lado que ele apontou era o oposto de onde vínhamos e pra chegar lá tínhamos que atravessar o equivalente a um fogo cruzado com bombardeio caindo na cabeça e um campo minado aos nossos pés – adoro um exagero!

18:45 – um tanto irado após se perder em uma rótula e ficar dando voltas até conseguir entrar no sentido certo e pegar um engarrafamento.

- precisamos abastecer.


Parados no posto de combustível


- olha só, vou deixar essa josta aqui e vou de metrô. Chega!
- calma. Tamo chegando, agora eu sei o caminho.
- tu ta me dizendo isso desde a entrada em São Paulo.


18:55 – aaaaaaaaaaaaaaa!!!

- Porque estamos passando em frente ao Shopping Morumbi se temos que ir pro Brooklin... a placa ta apontando o Brooklin pro outro lado.
- É, acho que pegamos a entrada errada. É pra lá mesmo.
...

19:19 – silêncio desconfortável no carro

- Pronto viu, é só dobrar a esquerda, o prédio é aquele ali ó.

- ZZZZZZZZZZZZZZZZZ!

...

Acordei na quinta feira com vários corpos estirados pelo apartamento do Ricotta, todos dormindo é claro. Inayara, Titi e Ricotta, roncavam e faziam sons estranhos enquanto eu ainda acordava pensando que não tinha visto nada desde que me joguei no colchão onde acordei, tinha morrido e acordado no dia seguinte, era isso.

Fui pegar um café e no meio de malas, livros, meias sujas, revistas, embalagem de pizza, cacos de vidro e mais um monte de coisas que se tornaria até monótono continuar relatando, achei o livro “O uivo” do Allen Ginsberg - huuum - agora sim a coisa tava tomando cara de felicidade.
Após ler e reler trechos aleatórios do livro e tomar umas 3 xícaras de café, sentia que agüentaria a jornada até a manhã do dia seguinte.

Agora era providenciar o acesso a premiação e festa do VMB.

Liguei pro meu amigo – que não vou citar nome porque ele me pediu, homem muito sério esse! - um dos produtores do VMB que prontamente me facilitou o acesso, combinamos as 20:00 na frente do Credicard Hall. Tudo certo, aguardava apenas a chegada dos
Identidade, Lucas Hanke e Eduardo Dolzan, pra ir a maior premiação pop-rock-teenager brasileira.

Depois de passar por uma cena do “globo repórter” – inventamos de ir de trem... sabe aquelas cenas em que as pessoas são enfiadas pra dentro do trem e as de dentro empurrando pra ela sair e a porta fechando e tu sendo esmagado como uma sardinha? Então... é isso que estou me referindo – chegamos ao Credicard Hall e como combinado o Homem muito sério estava nos aguardando acompanhado do excelente Caju – braço esquerdo e direito do homem muito sério, como o próprio Caju se descreveu – que acabou nos colocando em um camarote baixado na premiação. Por sinal o que não faltava na platéia ali presente eram gaúchos, assim como a premiação, a noite era da gauchada em São Paulo.

Tirando a apresentação mais que divertida do Massacration com o Falcão, o resto foi um pastelão de cartas marcadas, ficando o protesto de não entender porque
Pata de Elefante e Pública ficaram de fora dos shows da apresentação principal.

Ah! E os Ferdinand que me perdoem, mas que apresentaçãozinha mais pau mole, por favor.

Finalizada a palhaçada, embarcamos na van da Pata de Elefante rumo a badalada festa no espaço das Américas na barra funda. Papo descontraído sobre a mais que merecida premiação da Pata em música instrumental e a van andando, andando... um tanto de tempo depois chegamos a festa, confesso que já estava bem sonolento, tínhamos andado pra caramba e a maratona do dia já era grande a essa altura do início da madrugada.

13:06 sexta feira – dia seguinte da premiação

O ônibus entra pela Paulista e me pergunto por que tive a maldita idéia de voltar a beber depois de 60 dias sóbrio. Não bastasse os 32 graus lá fora, cada chacoalhar do ônibus fazia meu fígado parecer uma geléia se desmanchando e pronta a jorrar por todos os meus poros.

Ressaca de deixar o cara verde...

Desço do ônibus e primeira coisa que me ocorre é achar um banheiro. Nada. Nem na estação do Metrô nem em uma galeria que invadi com cara de desespero.
Minha pressão dava a impressão de estar no -15 (a alta), e pra não cair duro ou vomitar no meio da Paulista, me sentei na calçada e forcei minha cabeça a lembrar da noite anterior enquanto esperava o taxi que viria me salvar.

Lembro de acordar em um apartamento todo torto no sofá. No sentido mais “irreversível” da coisa, o resto da festa passa em um flash único de trás pra frente.

Algumas celebridades, muita bebida liberada, uma aglomeração no espaço dos fumantes e só.

O resto da história o Finatti (
Rolling Stone e Dynamite) colocou muito bem no blog dele Zap' n' roll
"Festa nada estranha com povo nada esquisito"...

1 comentários:

MiGlu | 24 de outubro de 2009 14:14

muito bem, Mr Spector, bom trabalho, bom texto, história divertida !

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